Alice

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

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ALICE
(André L. Soares)
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Alice, embebida de pureza,
há poucas horas, chegara ao planeta,
ainda estava imune à maldade,
quando as notícias velozes
rasgaram-lhe as têmporas.
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Lágrimas verdes vertendo das retinas,
pontas de dor aguda a lhe fisgar o peito,
grito de clave de sol, preso à garganta,
ela então, vê a santa desnuda
sob a luz fria do cotidiano,...
momento em que o belo pintou-se de breu
(sabor amargo de inocência trincada).
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Cansada, recolhe-se ao quarto,
a proteger-se dos cristais e plasmas.
Após sangrar lembranças, cerra as pálpebras,
chora e soluça outra vez, sozinha.
Por fim, Alice adormeceu!
Em seus sonhos ainda existem flores,
a água e a verdade parecem cristalinas
e até o coração do homem é bom.
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Acanhado, procurei algo
que a fizesse sentir-se melhor
quando acordasse;
tentei criar um ‘origami’, mas já era tarde...
...e eu só tinha em mãos, a realidade..
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O poema acima é de autoria de André L. Soares, que gentilmente permitiu seu uso. Lei Federal n. 9.610/98 – Respeitem os direitos autorais.

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